segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Gramado, parte II

No nosso segundo dia em Gramado, fomos fazer o tal do City Tour. No fim do último post classifiquei o passeio como “controverso” e explico por que: eu sou sempre a favor de fazer city tour. Ele te dá uma visão geral da cidade, te leva a lugares que precisam ser visitados uma vez e pronto e te deixa a dica de outros lugares que valem a pena voltar para conhecer com mais calma, afinal, o city tour é sempre uma correria louca!


Porém, e sempre tem um porém, o passeio de Gramado não é assim. Primeiro, porque leva um dia inteiro, muito tempo para conhecer duas cidades (Gramado e Canela) tão pequenas e próximas. Segundo porque é muito mais comercial do que turístico. Perdemos muito tempo em lugares que podem gerar lucro para as empresas e pouco nos que realmente valem a pena.

Mas vamos ao passeio. Cedo, muito cedo – mais precisamente, às 7h30 – o ônibus nos buscou no hotel (e esse já foi meu primeiro desagrado. Quem, a passeio, quer acordar tão cedo assim?). Depois de rodar por outros hotéis, buscando outros passageiros, chegamos à primeira parada: o Castelinho Caracol. Na verdade, não é um castelo, mas uma casa construída entre 1913 e 1915, toda em pinheiro brasileiro. O grande destaque no local é que o primeiro piso da casa foi todo construído sem um único prego. As peças de madeira são todas encaixadas. Lá dentro, os quartos e demais cômodos da casa ainda guardam objetos antigos, móveis, brinquedos. Muita coisa que poderia ter sido legal, caso nosso guia fosse bacana e contado a história da casa pra gente. Mas como isso não aconteceu, saímos de lá achando tudo muito sem graça.


O “avançado” sistema de calefação da casa

Detalhe comercial: há uma cozinha na casa que prepara waffles, strudels, croissants e outros quitutes a preço de ouro. Também vendem alguns objetos, como os relógios com cuco expostos aos montes pelas paredes.

Os relógios na parede. O mais barato que vi custava uns 70 mangos

Do Castelinho fomos para Canela e mais uma decepção nos aguardava. O que você espera de um passeio que se chama “City Tour Gramado-Canela”? Descer e passear nas duas cidades, certo? Pois é, mas isso não acontece. Não pudemos descer em Canela. É apenas um “passeio panorâmico”, como nos disse o guia mala. Mas quem vê alguma coisa interessante de dentro de um ônibus? Nem a famosa Catedral Gótica, símbolo da cidade, pôde ser visitada.


Seguimos dentro do ônibus até o parque da Cascata do Caracol. Um lugar belíssimo, com uma cascata enorme. São 131 metros de queda d’água. Chegamos, olhamos, admiramos, fizemos fotos e pronto. Meia hora estava de bom tamanho por lá, mas o tour prevê um longo tempo. Acho que ficamos quase uma hora no local. Uma coisa muito bacana é o elevador panorâmico que nos leva a um mirante cerca de 150 metros pra cima. De lá a vista é impressionante!


É água pra mais de metro!

Olha o mirante lá no alto

Da Cascata fomos ao Mundo a Vapor. Um “museu” de tudo o que pode ser feito no mundo com força a vapor. Olaria, siderúrgica, pedreira, relógios, termômetros, trens... Enfim, nada que tenha sido tão diferente. De lá, uma passadinha básica (e comercial) numa loja de chocolates. Por falar em comercial, nem vou citar um tal Museu de Cera que tinha por lá e eu e Natália preferimos não entrar.


Depois, um dos lugares mais legais que vi por lá, o Mini Mundo. Tudo construído em miniatura. Sabe aquele espírito de criança que queria ter uma cidade em miniatura para brincar? Pois lá tem isso. Os criadores do espaço são um avô e que viajou à Alemanha e trouxe miniaturas de casa de boneca e caminhão de bombeiros para os netos. Os presentes fizeram tanto sucesso com a criançada da cidade que o vovô passou a construir o mini mundo para as crianças da cidade. Várias construções de cidades alemãs estão representadas, mas também diversos outros lugares. Tem até uma igreja de Ouro Preto – MG. Tudo em escala 24 vezes menor que o real.


Uma geral de parte do Mini Mundo

A igreja de Ouro Preto - MG no Mini Mundo

Do Mini Mundo, uma passada rápida no Lago Negro. Rápida mesmo, pois a chuva apertou e quase ninguém desceu do ônibus. Nós descemos, demos uma volta no lago num carrinho de golfe e fizemos umas fotos rapidinhas, só para registro.

Vista geral do Lago Negro. Não queiram mais que isso a chuva tava forte!

Depois disso, voltamos para o hotel. Cansados pelo longo dia e também pelas irritações desnecessárias no passeio. Vale nota (ruim) a questão do almoço. Como estamos dentro do passeio a empresa nos “sugere” um local para almoçar. E por sugestão, entenda: param na porta do restaurante e dizem que este é o local ideal para comer e que ainda teremos um super desconto no preço. E que na hora combinada o ônibus sai, portanto, não é boa idéia ir almoçar em outro lugar porque poderíamos perder a hora. O restaurante era ruim? Não. Mas como amantes das descobertas culinárias, eu e Natália gostaríamos de ter mais opções para escolha.


À noite, depois de tomar um banho, fomos à Rua Coberta para jantar. Aqui vale um parêntese sobre o lugar: é como uma rua de lazer, mas que concentra basicamente bares e restaurantes. É coberta por um toldo, e este, por plantas, tipo trepadeiras. As mesas das casas espalham-se ao longo da rua. É bacana ver que as cadeiras são todas cobertas com peles (sintéticas) de animais para deixar tudo mais quentinho e aconchegante. É bem legal. Tem música ao vivo, tem restaurante chique e boteco pra todos os gostos.

Acabamos só lanchando mesmo em um lugar bem bacana chamado Beiruth. A casa é especialista nos sanduíches que dão nome ao lugar (beirutes), mas minha melhor experiência lá foi tomar a cerveja Rasen, produção local. Tomei a Pilsen e a achei mais encorpada que as pilsen normais (tipo Skol e Antarctica), mas sem gosto muito forte e que não fez mal nenhum no frio.


Friozinho com cerveja gelada? Combina...

Depois de tudo isso, mais cama. O dia seguinte prometia com o passeio da Uva e do Vinho. Mais controvérsias à vista. Aguardem!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tardo (e muito), mas não falho ou Gramado, parte I

Lá no longínquo mês de junho, quando o Brasil ainda sonhava em ser hexacampeão, o povo Paul não era famoso, quase ninguém ainda estava falando de campanha presidencial e apesar do frio, ainda não nevava no Brasil, Natália e eu fomos a Gramado – RS comemorar nossos dois anos de namoro. A viagem foi excelente, nos divertimos muito e voltamos com a sensação de que precisávamos de mais um ou dois dias por lá pra curtir ainda mais.

Gramado é a típica cidadezinha turística onde tudo funciona para te atender bem. Do hotel aos atendentes de restaurantes e lojas, todo mundo é muito bem educado e treinado para atender aos turistas que passam aos montes por lá. Mas bem vamos ao nosso roteiro:

Chegamos à cidade numa quinta feira, início de noite, depois de algumas horas de avião (BSB-RJ-POA) e de carro. O frio já batia forte lá fora, mas dentro do carro tava tudo numa boa. Chegamos no hotel famintos – afinal, o dia tinha sido regado a pães de queijo nas salas de embarque e amendoins distribuídos pela cia aérea – e cansados. Então só largamos as malas no quarto e saímos logo para comer. Se parássemos para tomar banho dormiríamos.

Nossa primeira parada gastronômica foi numa casa de foundue chamada La Gruyère. A cozinha típica de gramado é a suíça, então o foundue pode ser encontrado em qualquer esquina da cidade. O restaurante foi uma recomendação do recepcionista do hotel que foi bem sincero conosco. Dissemos a ele que queríamos ir a outro local que era mais “famoso” e ele desaconselhou dizendo que eles cobravam um preço pela fama, mas que no produto que interessava tudo dava na mesma. Acatamos a idéia dele e não nos decepcionamos. O La Gruyère é realmente muito bom.

Pedimos o rodízio de foundue e para beber resolvemos encarar um vinho local, produzido em Canela, cidade vizinha chamado Jolimont. Num sei bem o que se passou na nossa cabeça, mas na hora pedimos para vir o suave. Péssima pedida. O vinho era doce feito mel. Mas foi uma boa lição para aprendermos a não ir em coisas desconhecidas demais. A carta tinha outras opções locais e conhecidas que poderiam ter sido mais prazerosas.

Mas vamos ao melhor da noite. Para quem não conhece, o foudue é servido em “etapas”. A primeira é a de queijo Gruyére (éééé, por isso que o restaurante se chama assim!) que veio acompanhada por pedaços de pão, batatinhas cozidas e batatinha noisette. Também vieram pedaços de goiabada para rolar um “Romeu e Julieta”, mas não quisemos experimentar.


Foundue de queijo com pão, batatas e goiabada (??)

No segundo round o garçom traz as carnes, que são assadas na pedra, e uma porção de molhos para a mesa. No nosso rodízio eram servidos quatro tipos de carne: picanha, filé mignon, picanha suína, e peito de frango, além dos 17 tipos de molho. Os destaques ficaram para os molhos de alho (preferido da Natália), de azeitona (minha preferência), de mostarda e o de ervas finas. Vale ainda uma menção honrosa para o de cebola com bacon. O destaque negativo vai para coisas desnecessárias como ketchup e maionese. Vale lembrar que você come o tanto de carne que quiser, não vem só o pratinho da foto não.

As carnes, os molhos e o vinho doce lá no fundo

Para última rodada, depois de já fartos de tanta carne, vem o foundue de chocolate com frutas (mamão, maçã, banana, morango, uva, abacaxi e melão) e um potinho com wafer de morango – que eu nunca tinha comido com foundue, mas aprovei. O único senão é que depois de “molhado” no chocolate o biscoito perde a crocância.

Como diria o mestre Sloth: "Chocolaaateeee!"

De barriga cheia e tontinhos de vinho doce, voltamos para o hotel. Descansar era preciso, pois no dia seguinte já faríamos nosso primeiro controverso passeio: o city tour. No próximo post!